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Tráfego de IA no varejo: +203% sobre uma base de 0,4%

By Citoriq editorial team · · Updated · 5 min

As visitas a sites de varejo originadas em IA cresceram 203% entre junho de 2025 e maio de 2026, mas ainda representam cerca de 0,4% do total de visitas, segundo dados da Similarweb citados em relatório do BTG. Quando um número cresce três vezes sobre uma base minúscula, ele diz que o canal existe, não que o canal já decide vendas. A conta certa depende de olhar os dois lados.

O que o relatório do BTG mediu, exatamente?

A matéria da Sa Mais, de 6 de outubro de 2026, reproduz o relatório do BTG com dados da Similarweb para o período de junho de 2025 a maio de 2026. Os números centrais são dois. No varejo online em geral, as visitas originadas em IA subiram 203%, e ainda respondem por cerca de 0,4% das visitas totais. Nos marketplaces, o volume de visitas geradas por IA chegou a 46,8 milhões por mês, alta média de 237% frente ao mesmo período do ano anterior.

O texto cita Amazon, Mercado Livre e Magazine Luiza, mas não traz números por empresa nem por segmento. Também não explica como a Similarweb classificou o que é "tráfego de IA", qual foi a amostra ou como o BTG calculou as médias. Isso não invalida o dado; limita o que dá para concluir dele. E a própria matéria tem origem em cadeia: o rodapé aponta para o Valor Econômico, que por sua vez remete a outro veículo. Quanto mais longa a cadeia, mais vale tratar o número como ordem de grandeza.

O que significa crescer 203% partindo de 0,4%?

Um aumento de 203% equivale a pouco mais do que triplicar. Se os 0,4% descrevem o fim do período, a conta nossa, por aritmética simples e sem dado adicional, sugere que a participação um ano antes ficava perto de 0,13%. O mesmo vale para os marketplaces: 46,8 milhões por mês, com alta de 237%, implica algo na casa de 14 milhões por mês um ano antes. São estimativas derivadas, não números publicados, e dependem de a base de comparação ser a mesma.

A imagem que usamos aqui é a da torneira que passa a pingar mais rápido. A frequência da gota triplicou, e isso é uma notícia real para quem acompanha o encanamento. Só que ninguém enche um balde a 0,4% do fluxo. O erro de leitura mais tentador é pular da primeira frase ("triplicou") direto para uma decisão de orçamento ("então é prioridade"), sem passar pela segunda ("ainda é uma gota").

Por que ainda assim vale prestar atenção?

Por três motivos, todos apoiados no que a própria matéria registra.

O primeiro é a velocidade: se a tendência continuar, a fatia deixa de ser rodapé em poucos trimestres. O segundo é que os varejistas já agem como se o canal importasse. Segundo o texto, o assistente Lu, da Magalu no WhatsApp, acumula mais de R$ 200 milhões em vendas desde o lançamento em outubro de 2025 e já foi usado por mais de 9,7 milhões de clientes; o Mercado Livre testa busca aprimorada e um assistente de compras. Já exploramos o caso Magalu em Lu do Magalu: o agente que decide no WhatsApp.

O terceiro é o risco que o BTG descreve: agentes de IA podem deslocar a decisão de compra para fora do varejista, o que pressiona o tráfego, os dados de clientes e a receita de publicidade dos marketplaces. Para uma marca de eletrônicos, isso significa que a vitrine onde ela estava pode mudar de dono antes de a fatia ficar grande.

Como ler esse dado sem exagerar para nenhum lado?

Pergunte, antes de repetir a manchete: qual é a base, qual é o período, quem classificou e o que ficou de fora. Neste caso, ficaram de fora as recomendações que não geram clique. Quem pergunta a um assistente qual fone comprar e depois digita o nome da loja no navegador não aparece como "tráfego de IA", mas foi influenciado por IA. O número mede cliques com origem identificável, e não influência.

A mesma cautela vale para o outro extremo. Em IA e tráfego de eletrônicos: 0,8% é pouco ou engana? discutimos como uma fatia pequena de visitas pode esconder um papel maior na decisão. O dado do BTG e o da Sensor Tower medem coisas diferentes, em bases diferentes; não os some nem os compare como se fossem a mesma régua.

O que a marca pode medir por conta própria?

O dado de mercado dá direção; o seu dado dá decisão. Três passos práticos:

  1. Separe a origem: crie um grupo de canais para tráfego de IA nas suas métricas, como mostramos em Tráfego de IA no GA4: guia do grupo de canais.
  2. Meça também a ausência de clique: pergunte a assistentes de IA as questões reais do seu consumidor e registre se a marca é citada, mencionada ou recomendada. Nossa abordagem está em /methodology.
  3. Repita: o resultado varia por modelo, prompt e dia, então uma foto única engana.

O que levar daqui

  • O relatório do BTG, com dados da Similarweb, mostra +203% em visitas de IA ao varejo e 0,4% do total no período junho/2025–maio/2026.
  • Nos marketplaces, 46,8 milhões de visitas mensais de IA, alta média de 237%.
  • Crescimento alto sobre base baixa é sinal de direção, não de volume de vendas.
  • O número mede cliques identificáveis, não influência; a metodologia da Similarweb não é detalhada na matéria.
  • A medição da sua marca, com origem separada e perguntas reais, vale mais do que a média do mercado.

Perguntas frequentes

O tráfego de IA já é relevante para o varejo brasileiro?

Em volume, ainda é pequeno: cerca de 0,4% das visitas, segundo o dado citado pelo BTG. Em velocidade, é o que mais cresce, e os grandes varejistas já investem em assistentes próprios.

203% de crescimento é muito?

É um aumento que equivale a pouco mais do que triplicar. O peso real depende da base de partida, que aqui é muito baixa.

Esse dado vale para eletrônicos?

A matéria não traz recorte por segmento. Para eletrônicos, o caminho é medir a sua própria categoria em vez de extrapolar a média do varejo.

Quer um ponto de partida para a sua marca? O diagnóstico gratuito mostra como assistentes de IA respondem hoje sobre os seus produtos. É uma análise experimental via API, que não replica a interface de consumidor do ChatGPT, e serve como referência inicial, não como promessa de resultado.

Sources

Sources last verified: October 29, 2026

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