A IA generativa ainda responde por uma fatia pequena das visitas a sites de eletrônicos: 0,8% no primeiro trimestre de 2026, segundo a Sensor Tower. Mas esse número quadruplicou em pouco mais de um ano, é o maior salto entre as categorias de varejo e mede apenas cliques, não influência. Para marcas, o erro é ler 0,8% como irrelevância.
O que a Sensor Tower mediu, exatamente?
Trabalhamos com o resumo do relatório "State of AI 2026" publicado pelo The Neuron, porque não tivemos acesso ao relatório completo. Essa ressalva importa: os números abaixo são de segunda mão, e o texto traz pouco detalhe de método.
O dado central: a participação da IA generativa nas visitas a sites de computadores e eletrônicos de consumo subiu de 0,2% no quarto trimestre de 2024 para 0,8% no primeiro trimestre de 2026. Segundo o resumo, foi o maior ganho entre as categorias de varejo analisadas. Para comparação, o resumo cita participação acima de 1,5% no Walmart e no Target, cerca de 0,5% na Amazon e cerca de 0,3% na Temu e na SHEIN.
Repare no que é "participação nas visitas": é a fração de acessos que chegou ao site vinda de um assistente. Não é a fração de decisões de compra influenciadas por um assistente.
Por que 0,8% é um número enganoso para decidir prioridade?
Porque ele conta a ponta do funil que deixa rastro. Quando alguém pergunta a um assistente "qual fone com cancelamento de ruído vale a pena até R$ 800?", lê a resposta e vai direto a uma loja digitando o nome do modelo, essa visita chega como tráfego direto ou de busca, e não como visita de IA. A influência existiu, o rastro não.
Isso é uma leitura nossa, não uma conclusão do relatório. O relatório não mede esse caminho, e nós também não temos números sobre ele. Mas a lógica é suficiente para recusar a conta simples de "0,8% do tráfego, 0,8% da atenção".
Pense numa torre de controle que só conta os aviões que pousam na própria pista. Os que sobrevoam, consultam o rádio e seguem para outro aeroporto não aparecem no relatório. O tráfego referido é a pista; a recomendação é o rádio.
E os assistentes dentro das lojas?
O resumo traz outro dado que merece cuidado. Segundo a Sensor Tower, as sessões do Rufus, da Amazon, converteram acima de 40% no primeiro trimestre de 2026, contra cerca de 20% dos compradores que não usaram o assistente, com sessões mais longas antes da compra: cerca de 40 minutos contra 15.
Tentador concluir que o assistente dobra a conversão. Não dá para concluir isso. Quem abre um assistente e conversa por 40 minutos já é, provavelmente, um comprador mais decidido. A comparação é correlação, não efeito causal. O que o dado sustenta é mais modesto e ainda útil: dentro do marketplace, o assistente participa de sessões de alta intenção. E é por isso que os dados que alimentam a resposta dentro de cada loja, como os que discutimos em Alexa for Shopping, merecem tanta atenção.
E os anúncios?
O mesmo resumo informa que o ChatGPT começou a testar anúncios em fevereiro de 2026, com usuários selecionados nos Estados Unidos, e que, numa amostra de Android nos EUA, compras de produtos representaram 33,3% das impressões de anúncios. Anúncio e recomendação orgânica são canais diferentes, e misturá-los distorce qualquer medição; escrevemos sobre como separar o patrocinado do orgânico justamente por isso.
O que isso muda no Brasil?
Pouco do que citamos vale automaticamente para cá. O resumo fala de 25 mercados em alguns dados e de amostras dos Estados Unidos em outros, e não separa o Brasil nos trechos que lemos. Para o consumidor brasileiro, vale consultar o que já reunimos em dados sobre o consumidor brasileiro e IA em eletrônicos. Tratamos o 0,8% como direção, não como medida local.
O que a marca deveria fazer com essa informação?
Três movimentos nos parecem defensáveis. Primeiro, parar de usar tráfego referido como único termômetro e medir, de forma direta, em quantas respostas a marca é citada, mencionada ou recomendada, a diferença que explicamos em citação, menção e recomendação. Segundo, acompanhar a tendência em vez do número absoluto: o que importa é a curva de 0,2% para 0,8%. Terceiro, não gastar a margem de erro: cada modelo, prompt e dia muda a resposta, então um único teste não diz nada.
O que levar daqui
- A participação da IA nas visitas a sites de eletrônicos foi de 0,2% para 0,8% entre o fim de 2024 e o início de 2026.
- Tráfego referido mede cliques, não influência sobre a decisão.
- A conversão maior do Rufus é correlação; não prova que o assistente causa a compra.
- Os dados são majoritariamente globais ou dos EUA; não tratam o Brasil isoladamente.
- Meça presença nas respostas, não só visitas.
Perguntas frequentes
0,8% do tráfego justifica investir em GEO?
Sozinho, não. O argumento mais forte é a velocidade de crescimento e o fato de que o número ignora decisões influenciadas sem clique. Dimensione o investimento pela sua própria medição.
Esses números valem para o Brasil?
Os trechos que lemos não isolam o Brasil. Use-os como direção de tendência e confirme com dados locais.
Onde ver o relatório original?
Consultamos apenas o resumo do The Neuron sobre o relatório da Sensor Tower. Para os números e o método completos, é preciso o relatório original.
Para saber em quantas respostas de IA a sua marca aparece hoje, comece pelo diagnóstico gratuito, uma análise experimental via API, e veja na metodologia como lemos os resultados.