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Brasileiro e agentes de IA: 72% topam, 15% do varejo pronto

By Citoriq editorial team · · Updated · 5 min

Duas pesquisas divulgadas em outubro de 2026 apontam para o mesmo descompasso: 72% dos consumidores brasileiros já usaram ou pretendem usar agentes de IA para comprar, segundo a Global Payments, e só 15% dos varejistas se dizem preparados para vender nesses ambientes, segundo o índice da PYMNTS com a Visa.

Os dois números vêm de metodologias diferentes e não se comparam diretamente. Juntos, porém, contam uma história útil para quem vende eletrônicos no Brasil: a vontade existe, e o que falta é o dado que dá confiança ao agente e ao cliente.

O que dizem os números sobre o consumidor?

O Agentic Commerce Report 2026, da Global Payments, foi divulgado em 13 de outubro. Segundo a reportagem do Mixvale, 24% dos brasileiros já experimentaram agentes de IA para compras e 48% declaram intenção de usar nos próximos 12 meses, o que soma 72%. Em 2025 o índice era de 39%. A rejeição total caiu de 27% para 6%.

O Brasil ficou em segundo lugar entre sete mercados, atrás da China (86%). A pesquisa ouviu 8.027 consumidores, em consultoria feita em maio de 2026; o texto que lemos não informa o tamanho da amostra brasileira.

O índice da Visa, citado pela Central do Varejo, mede outra coisa: 53% dos consumidores brasileiros usaram IA em alguma etapa da jornada de compra, contra 46% nos Estados Unidos.

E o varejo?

A mesma reportagem da Central do Varejo, publicada em 9 de outubro, traz o dado do Global Digital Shopping Index 2026, da PYMNTS Intelligence com a Visa: apenas 15% dos varejistas brasileiros dizem estar preparados para vender em ambientes mediados por agentes de IA. É uma autoavaliação, não uma medição técnica. O texto não detalha o que cada varejista entende por “preparado”.

Para dar escala, há ainda um dado de tráfego citado pelo Mixvale a partir da Similarweb, compilada pelo BTG Pactual: as visitas a sites de varejo originadas por IA subiram 203% entre junho de 2025 e maio de 2026, mas representam cerca de 0,4% do total. O crescimento é rápido e a base ainda é pequena, a mesma leitura que fizemos ao analisar o dado de 0,8% de tráfego de IA em eletrônicos.

O que impede o brasileiro de confiar?

Aqui está a parte mais acionável. Segundo a Global Payments, as barreiras citadas foram segurança dos dados de pagamento (50%), privacidade e uso de dados (45%) e receio de que o sistema faça escolhas erradas (41%).

E o que faria o consumidor confiar? Confirmação antes da compra (41%), alertas imediatos da transação (41%), prova de imunidade a ataques cibernéticos (34%) e clareza sobre quem responde por erros (33%).

Esses números não falam de páginas de produto. Mas a nossa leitura, que é opinião, é que dois deles dependem do que a marca publica.

Quais confianças a sua página consegue construir?

Imagine o agente como um comprador que nunca viu a loja. Ele não sente o cheiro do corredor; só lê o que está escrito. Para o medo de “escolha errada”, a defesa é a precisão, e para “quem responde por erros”, a clareza.

Em eletrônicos, isso se traduz em pontos concretos da página:

  • Compatibilidade e voltagem sem ambiguidade. Uma escolha errada de 110 V ou 220 V é o erro mais caro e mais fácil de evitar. Veja o que a IA precisa ler em voltagem, Anatel e Procel.
  • Garantia legível. Quem responde por defeito, por quanto tempo, e com que contato. Detalhamos em garantia na página de produto.
  • Preço e parcelamento iguais em todo lugar. Um agente que compara e encontra dois preços perde a confiança em ambos. O texto sobre parcelamento no feed e na página mostra o que checar.
  • Dados de especificação completos, para que a IA não precise chutar uma ficha técnica.

Nada disso garante que um agente recomende o seu produto. Resultados variam por modelo, pergunta e dia. O que a página faz é remover as razões fáceis para ele não recomendar.

O que a pesquisa não nos diz?

Intenção declarada não é comportamento. Entre “pretendo usar” (48%) e “usei” (24%) há uma diferença grande, e só o segundo número descreve algo que já aconteceu. As duas pesquisas têm amostras e definições diferentes de “uso de IA”, e uma delas é uma autoavaliação do varejo. E nenhuma delas mede, por produto, se a IA recomenda a sua marca. Isso só se descobre testando perguntas reais de consumidor, como detalhamos em como testar sua marca em IA.

O que levar daqui

  • A Global Payments aponta 72% dos brasileiros com uso ou intenção de usar agentes de IA para comprar, contra 39% em 2025.
  • Pelo índice PYMNTS e Visa, só 15% dos varejistas brasileiros se dizem preparados; é autoavaliação.
  • As principais barreiras do consumidor são segurança de pagamento, privacidade e medo de escolha errada.
  • Precisão de voltagem, garantia clara e preço consistente removem razões fáceis de desconfiança.
  • Intenção não é comportamento, e nenhum desses números mede se a IA recomenda a sua marca.

Perguntas frequentes

72% dos brasileiros já compram com agentes de IA?

Não. Esse número soma 24% que já experimentaram e 48% que declaram intenção de usar nos próximos 12 meses.

Por que o Brasil aparece tão alto nas pesquisas?

As reportagens que lemos não explicam. O Brasil ficou em segundo lugar entre sete mercados, com um salto de 33 pontos percentuais em relação a 2025.

O que um fabricante de eletrônicos deve fazer primeiro?

Auditar os dados que removem dúvida: voltagem, compatibilidade, garantia, preço e parcelamento. Depois, teste perguntas reais de consumidor em IA e registre as respostas.

Quer ver como as IAs descrevem hoje o seu produto no mercado brasileiro? O diagnóstico gratuito é um bom primeiro passo, ou peça uma demonstração para discutir o seu catálogo.

Sources

Sources last verified: October 16, 2026

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