Generative UI é a capacidade de a busca montar, na hora, um layout próprio para cada pergunta: tabelas, gráficos, painéis. Para uma marca de eletrônicos, isso muda o lugar da comparação. Ela deixa de ser uma página sua e passa a ser uma tabela da IA, preenchida com os atributos que ela consegue ler de todos os concorrentes.
O que o Google anunciou sobre layouts gerados?
No Google I/O 2026, o Google anunciou que a Busca poderá construir layouts personalizados, incluindo tabelas, gráficos e painéis, com lançamento previsto para o verão do hemisfério norte, segundo a cobertura do MarketingTechNews. Não verificamos, para este texto, se o recurso já está disponível no Brasil nem em quais consultas ele aparece. Por isso, tudo o que vem a seguir é leitura de mecanismo, não relato de observação.
Como uma pergunta vira uma tabela?
Pense na tabela gerada como uma chamada de presença. A pergunta escolhe a turma: "notebooks até 7 mil reais para edição de vídeo". A IA escolhe as colunas que importam para aquela intenção, como memória, tela, peso, autonomia e preço. Depois chama cada produto, coluna por coluna. Quem responde a todas aparece na foto. Quem deixa uma coluna em branco, ou responde com dois valores que não conversam, fica de fora ou aparece com um traço.
Essa imagem tem uma consequência prática que quase ninguém discute: a unidade de competição deixa de ser a página inteira e passa a ser o atributo. Uma página bonita, com narrativa forte, mas com a autonomia descrita em prosa vaga, perde para uma página sem graça cujo campo "Autonomia" diz exatamente o que a coluna pede.
Isso é uma hipótese de trabalho que usamos para desenhar testes, não um resultado medido. Ainda não sabemos quais colunas a IA escolhe em cada categoria, nem como ela resolve conflitos entre fontes.
Que tipo de inconsistência quebra uma célula?
Vamos usar o Aurora Pro 14, o produto fictício do exemplo público do nosso site. Imagine três fontes sobre o mesmo notebook:
- A página oficial diz "bateria para o dia todo".
- A ficha técnica diz "70 Wh".
- Um marketplace diz "até 18 horas".
Para uma coluna chamada "Autonomia (h)", a IA tem três candidatos incompatíveis. Uma frase sem número. Uma capacidade em watt-hora, que não é uma duração. E uma promessa em horas sem condição de teste. Qualquer escolha é arriscada, e a escolha mais segura para um sistema que não quer errar é deixar a célula vazia ou preenchê-la com a fonte de terceiros.
O peso mostra o mesmo problema em miniatura. "1,4 kg" na página e "1.399 g" no marketplace são o mesmo número para uma pessoa. Para uma tabela que precisa ordenar produtos por peso, valores em unidades diferentes são mais um ponto de atrito. Reduzir atrito é barato; explicar depois por que o produto sumiu da comparação é caro.
Como preparar atributos para entrar numa tabela gerada?
Não existe truque, e é bom desconfiar de quem vende um. O que existe é disciplina de dados, repetida em todos os canais:
- Uma unidade canônica por atributo. Peso sempre em kg, autonomia sempre em horas, tela sempre em polegadas, em todos os lugares.
- O mesmo nome em todo lugar. Se a página diz "Autonomia de bateria", o feed e o marketplace dizem o mesmo, não "Duração" em um e "Bateria" em outro.
- Valor separado da condição. "18 h" sozinho é promessa. "18 h em reprodução de vídeo local, brilho médio" é dado. Escreva a condição ao lado do número.
- Ficha em texto HTML legível. Especificações que existem só em imagem ou em PDF isolado são invisíveis para quem monta colunas a partir de texto.
- Dados estruturados iguais ao texto visível. O Google orienta que os dados estruturados correspondam ao texto visível da página, conforme a documentação de recursos de IA da Busca.
Se você quer aprofundar a lógica por trás dos itens 1 e 2, veja nosso texto sobre completude de atributos. E, para o outro lado da moeda, o que fazer quando você mesmo publica a comparação, há o guia de página de comparação que a IA consegue citar.
O que o Google diz, e não diz, sobre otimizar para isso?
A documentação do Google afirma que não há requisitos adicionais para aparecer em AI Overviews ou no Modo IA, que valem as mesmas boas práticas de SEO, e que não existe um schema.org especial a adicionar. Portanto, Generative UI não é algo que se "otimiza" com um recurso novo. Na nossa leitura, a novidade é outra: o custo da inconsistência sobe, porque a tabela coloca as discrepâncias lado a lado, na mesma tela, para o mesmo comprador.
Há também um limite do nosso próprio método. O diagnóstico gratuito da Citoriq é uma análise experimental via API e não replica a interface de consumidor, então ele não mostra tabelas geradas. Ele ajuda a ver outra coisa: quais atributos a IA atribui ao seu produto em texto e onde as respostas divergem entre si. Prontidão de página também não é o mesmo que ser recomendado, e os resultados variam por modelo, por prompt e por dia. A metodologia detalha esses limites.
O que levar daqui
- Em tabelas geradas, o atributo é a unidade de competição; a página inteira importa menos.
- Unidade, nome e condição do atributo precisam ser idênticos em site, feed e marketplaces.
- Ficha técnica em texto HTML vence imagem e PDF solto.
- Não há schema especial para isso; a base é dado correto e coerente com o texto visível.
Perguntas frequentes
O que é Generative UI na busca?
É a capacidade de a busca criar um layout sob medida para a pergunta, como uma tabela ou um painel, em vez de mostrar sempre a mesma lista de resultados.
Preciso de um schema novo para aparecer nessas tabelas?
Segundo o Google, não há schema.org especial para recursos de IA. O que ele recomenda é que os dados estruturados correspondam ao texto visível da página.
O diagnóstico da Citoriq mostra a tabela que a IA gera?
Não. Ele é uma análise experimental via API e não replica a interface do consumidor. Serve para enxergar quais atributos a IA associa ao seu produto e onde as respostas divergem.
Quer ver quais atributos do seu produto a IA responde de forma inconsistente? Rode o diagnóstico gratuito e compare as respostas com a sua ficha técnica.