O relatório AI Performance do Bing Webmaster Tools mostra onde o conteúdo do seu site aparece em respostas de IA do Microsoft Copilot, do Bing e de experiências parceiras. Para lê-lo bem, siga cinco passos: veja as citações, entenda as grounding queries, confira a Citation Share, compare períodos e use o Topics Portfolio. E lembre que ele não mede cliques.
O que o AI Performance mede?
Segundo o blog do Bing, o relatório mostra onde o conteúdo de um site é referenciado em respostas geradas por IA no Copilot, no Bing e em experiências de parceiros selecionados. A prévia pública foi apresentada em fevereiro de 2026. Em 16 de junho, o Bing acrescentou quatro recursos em prévia: Intents, Topics, Citation Share e Compare.
Os termos que importam, nas definições do próprio Bing:
- Grounding: o material de origem e a evidência da web que o sistema usa para sustentar e citar sua resposta.
- Grounding queries: as consultas que disparam citações em respostas de IA.
- Citation Share: a porcentagem de citações atribuídas ao seu site, calculada contra todas as citações mostradas, em todos os sites, para a mesma grounding query.
Se você quer o conceito por trás, Grounding em IA explica como respostas citam páginas reais.
Passo 1: por onde começar?
Entre no Bing Webmaster Tools, no site já cadastrado, e abra a experiência AI Performance. O Bing não publicou o caminho exato de menus na página que lemos, e o recurso está em prévia, então a navegação pode mudar. Também não encontramos, nas fontes, a lista de países e idiomas atendidos, e não sabemos como a classificação se comporta em português. Se o seu site não aparece, pode ser por falta de dados.
Passo 2: o que olhar nas citações e nas grounding queries?
Comece pelo total de citações e pela lista de grounding queries. Para uma marca de eletrônicos, procure três coisas: se as consultas são sobre o produto, sobre a categoria ou sobre a marca; se há perguntas de decisão, como compatibilidade e comparação; e se as páginas citadas são as que você esperava.
Pense no relatório como um sismógrafo, não como um mapa. Ele registra os tremores, isto é, quando e onde você foi citado, mas não desenha o terreno nem diz qual falha causou o abalo. A causa continua sendo trabalho de investigação. Para entender como uma pergunta vira várias consultas, leia Query fan-out.
Passo 3: como ler Intents e Citation Share?
O Bing classifica as grounding queries por intenção, com rótulos como informacional, comercial, navegacional, aprender e resolver, pesquisa, criação e local. Em eletrônicos, o recorte interessante é separar consultas comerciais, como "melhor fone com cancelamento de ruído", das de aprendizado, como "o que é codec LDAC".
Sobre a Citation Share, o próprio Bing alerta que é uma métrica observacional, "não um sistema de ranqueamento nem um placar competitivo". Ela não expõe domínios concorrentes, não representa participação de tráfego e não atribui nota de qualidade. Se a sua participação sobe de 4% para 6%, isso diz que mais citações foram atribuídas ao seu site naquele conjunto, não que você "ganhou" de alguém.
Passo 4: como usar o Compare sem se enganar?
O Compare sobrepõe um período anterior ao atual, por exemplo os últimos 30 dias contra os 30 anteriores, ou intervalos personalizados. Serve para ver mudanças, não para explicá-las. O Bing lembra que padrões de citação mudam por muitos motivos, entre eles atualizações de modelo, sinais de frescor e alterações na web em geral.
Uma regra prática nossa: antes de atribuir uma queda a uma página, anote o que mudou naquela janela, como publicação, correção de preço, migração de URL ou mudança de catálogo. Se você usa IndexNow, registre as datas de envio.
Passo 5: o que é o Topics Portfolio?
Em 13 de outubro de 2026, o Bing anunciou o Topics Portfolio, em beta, uma aba dentro do AI Performance. Segundo a cobertura que lemos, ele agrupa em temas as grounding queries em que seu site é citado e mostra, para cada tema, três números aproximados: o tamanho do tópico (citações totais em todos os sites), quantos sites são citados (o quão disputado é) e quantas consultas distintas existem.
A parte mais útil são as Top Opportunity Queries: consultas em que outros sites são citados e o seu não. Os volumes aparecem em faixas, não em números exatos. Um tópico com muitos sites citados é um terreno concorrido, e um tópico com poucos, uma lacuna possível.
Os limites declarados: os rótulos de tópicos são gerados por IA e podem errar; sites pequenos podem ver uma lista curta ou nenhuma aba; consultas com o nome de concorrentes podem aparecer como oportunidade; e os números são aproximados, pensados como sinais direcionais. O Bing não informou quando o recurso sai do beta.
Passo 6: como transformar isso em ação?
Pegue de três a cinco opportunity queries que tenham relação direta com um produto seu. Para cada uma, abra a página do produto e responda: a pergunta tem resposta explícita no texto? O dado está em HTML legível? Os rastreadores chegam à página? A auditoria de bots nos logs ajuda a checar o último ponto.
Em seguida, registre a hipótese e a data, mude uma coisa por vez e observe o Compare duas ou três semanas depois. Sem esse registro, qualquer variação vira anedota.
Um alerta sobre escopo: o AI Performance cobre o ecossistema Microsoft. Ele não diz nada sobre ChatGPT, Gemini ou Perplexity, e a relação com o fluxo de compra no Copilot é outra conversa, tratada em Copilot Checkout e feed. Nosso diagnóstico gratuito é uma análise experimental via API e não substitui um relatório de primeira mão como esse; os dois se complementam. Veja os limites em /methodology.
O que levar daqui
- O AI Performance mostra citações em respostas de IA da Microsoft, por grounding query, e é um relatório de primeira mão, o que o torna raro.
- Citation Share é observacional: não é ranking, não é tráfego e não expõe concorrentes.
- O Topics Portfolio, em beta, aponta consultas onde outros são citados e você não, com volumes em faixas.
- O relatório não traz cliques nem causas; registre mudanças para interpretar variações.
- Cobertura de idiomas e países não está clara nas fontes; verifique no seu painel.
Perguntas frequentes
O AI Performance mostra cliques vindos da IA?
O anúncio do Topics Portfolio não menciona cliques nem tráfego de referência. Os dados são de citações.
Posso ver quais concorrentes são citados no meu lugar?
O Bing diz que a Citation Share não expõe domínios concorrentes. Sobre as tabelas do Topics Portfolio, não há detalhe nas fontes que lemos.
O relatório vale para o ChatGPT?
Não. Ele cobre Copilot, Bing e experiências parceiras da Microsoft. Para outras plataformas, é preciso outro método.
Quer um ponto de partida independente de plataforma? Rode o diagnóstico gratuito e compare o que ele observa com o que o Bing Webmaster Tools registra no seu site.